Notícia

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TURISMO

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo
Quinta, 27 Fevereiro 2020 18:03
Turismo

Ostreicultura é potencial turístico e gastronômico para Alagoas

Além da Vila Palateia, na Barra de São Miguel, a atividade também é opção de roteiro para os visitantes de Porto de Pedras

O acompanhamento do cultivo é feito a cada cinco dias pelas ostreicultoras O acompanhamento do cultivo é feito a cada cinco dias pelas ostreicultoras Kaio Fragoso
Texto de Letícia Cardoso

Maré baixa e o sol ainda raiando no céu. O cenário propício para a atividade turística garante, também, o sustento de mais de 150 famílias que fazem da ostra sua fonte de renda em Alagoas e levam a atividade para a rota turística do estado. Os visitantes são levados a um paraíso cercado pela Mata Atlântica e berço da maior produção de ostras do Estado, a Vila Palateia, na Barra de São Miguel.

Atendidos pelo projeto Ostras Depuradas de Alagoas desde 2016, os ostreicultores recebem assistência técnica, apoio logístico e auxílio na comercialização e divulgação dos produtos. O Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), estimula a atividade, que está inclusa nas políticas públicas de pesca e aquicultura, presente em mais quatro comunidades: Coruripe, Paripueira, Barra de Santo Antônio e Porto de Pedras. A iniciativa conta, ainda, com o apoio do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), Sebrae Alagoas, Prefeitura de Coruripe e Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. 

Rota Ecológica

Além da Vila Palateia, que já se destaca trazendo a ostreicultura como produto turístico, a comunidade de Porto de Pedras, na Rota Ecológica dos Milagres, vem buscando estruturar o ofício de mais de 30 famílias em mais um atrativo do destino. 

Edemara Lara tem a ostreicultura como profissão há três anos e descreve a rotina de um grupo de mulheres que cultiva rindo, cantando e confraternizando entre si. Ela conta que durante a alta temporada o molusco faz sucesso com os turistas e chega a 1500 unidades vendidas, sendo comercializadas diretamente e também através de pousadas e entregas para eventos.

“Em outubro nós vendemos 50 dúzias para um casamento que aconteceu em uma pousada na Praia do Patacho. Esse pessoal ficou encantado e está voltando para Alagoas no carnaval e já nos procurou para comprar, de tanto que gostaram”, expôs Edemara.

As mesas, como são chamados os locais de cultivo, ficam localizadas no estuário do Rio Manguaba. As sementes nativas vêm de Santa Catarina, responsável pela venda de 90% das ostras para o país, e são cultivadas localmente onde as ostreicultoras fazem o acompanhamento a cada cinco dias.

Depois de colhidas, elas são enviadas ao depurador em Coruripe para que após a finalização possam ser comercializadas. Durante o processo o material é imerso na água do mar filtrada, tratada com luz ultravioleta, cloração, filtração, oxidação com baixa concentração de cloro, eliminando os riscos de contaminação por bactérias, vírus e outros microorganismos que são comuns, evitando os riscos de consumo e garantindo a qualidade.

“Nossa ideia é fazer um ponto turístico e de degustação, rústico, mas que as pessoas possam vivenciar a experiência completa. Queremos ter a entrega da ostra natural, mas também gratinada e caipiostra”, explica Edemara.

De acordo com o diretor-presidente do IABS, Luís Tadeu Assad, existem exemplos no Brasil e no exterior que mostram o potencial que a comercialização de ostras tem de gerar renda e reduzir as desigualdades sociais.

“Essas famílias são protagonistas do processo, são empreendedores e isso é uma das coisas mais importantes. Estamos alinhados com toda a questão ambiental e sustentável. A grande vantagem é que são pequenos empreendedores, trabalham com a própria força de trabalho, em uma produção familiar e comunitária, com benefícios diretos para eles e em torno da região em que atuam”, pontua.   

Para o secretário Rafael Brito, a formatação de um novo produto turístico focado em experiências garante, além do sustento da cadeia produtiva, uma vivência mais completa para o visitante que deseja conhecer a região e seu modo de vida.

“O papel do Estado é fundamental no desenvolvimento dos seus diversos setores. Nosso papel é formular, articular e realizar ações para promover e disseminar as cadeias e atividades produtivas, gerando diversificação econômica para a sustentabilidade dos negócios locais. Além disso, a estruturação de novos produtos e atrativos garante ao turista uma experiência diversificada e completa em Alagoas”, salienta Rafael Brito, secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo.