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DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TURISMO

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo
Quinta, 27 Dezembro 2018 17:09
HORTICULTURA NO AGRESTE

Abacaxi produzido em Alagoas conquista o mercado paulista

Pequenos agricultores de Limoeiro de Anadia estão vendendo o fruto diretamente para a Batista Legumes

Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram enviados a São Paulo Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram enviados a São Paulo Fotos: Divulgação/Asprolimo
Texto de Soraya Leite

A parceria firmada entre Batista Comércio de Legumes S/A e a Associação dos Produtores de Limoeiro de Anadia (Asprolimo) já começa a apresentar os primeiros resultados. Desde novembro, agricultores vinculados à entidade e atendidos pelo Arranjo Produtivo Local Horticultura no Agreste estão vendendo abacaxi para a empresa paulista. O APL é coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), em parceria com o Sebrae/AL.

Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram comercializados, com uma arrecadação na casa dos R$ 300 mil. A experiência, considerada inovadora na região, está transformando a rotina dos agricultores e fomentado a cadeia produtiva do abacaxi, com a geração de emprego e renda para dezenas de trabalhadores rurais do município.

Fotos: Divulgação/Asprolimo

Fornecedora de hortaliças, frutas e verduras para supermercados e para o comércio atacadista em geral, há trinta anos a Batista Legumes ocupa uma grande área na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceagesp), em São Paulo. E a excelente qualidade do abacaxi produzido no Agreste alagoano despertou o interesse do gerente comercial Ilton Oliveira e do representante do setor de compras da empresa, Alexandre Ito, que, no mês passado, vieram a Alagoas para uma visita técnica em busca de novos fornecedores.

Para o consultor do APL Horticultura no Agreste, Humberto Sant’anna, a venda do abacaxi para a empresa paulista trouxe excelentes resultados. O principal deles foi a venda direta ao comprador pelo preço de mercado, sem a interferência de atravessadores, o que vinha causando insegurança e grandes prejuízos no campo.

Fotos: Divulgação/Asprolimo

As negociações com a Batista Legumes começaram em junho e foram efetivadas em novembro. O primeiro caminhão saiu com uma remessa de 120 mil frutas, no valor de R$ 140 mil. Em dezembro, o volume comercializado pulou de um caminhão para três por semana, com a entrega de 180 mil frutos no total, e renda de quase R$ 300 mil para os envolvidos.

“É um volume considerável. Antes, os agricultores vivenciavam uma alta produção, mas com uma comercialização injusta devido à ação dos atravessadores. A experiência com a empresa paulista está sendo inovadora, com bastante êxito”, afirmou o consultor, acrescentando que o trabalho que está sendo realizado com o apoio do Governo do Estado, por meio APL Horticultura no Agreste, foi fundamental para essa abertura comercial.

Fotos: Divulgação/Asprolimo

“Hoje, os produtores estão conscientes de que podem, sim, fornecer seus produtos para clientes privados. Eles estão sendo capacitados sobre como organizar frete, recrutar a mão de obra na região e, com essa experiência, estarão preparados para fechar negócios não só com a Batista Legumes, como com outros potenciais clientes que podem aparecer”, afirmou Humberto Sant’anna.

Em Limoeiro de Anadia, cerca de 300 agricultores atuam na produção do abacaxi, mas essa primeira venda à Batista Legumes envolveu apenas 20 associados da Asprolimo, conforme explica o presidente da entidade, Alvânio Vicente Farias. Segundo ele, a parceria está fazendo com que outros produtores procurem a entidade, interessados em vender para a empresa.

“Além da perspectiva de aumento na produção, a atividade deve incrementar a oferta de emprego em outros setores da cadeia produtiva, como o plantio, colheita, carregamento dos caminhões, gerando emprego e renda na região”, afirmou Alvânio Vicente.

Fotos: Divulgação/Asprolimo

“Hoje, o agricultor sabe que tem para quem vender sua produção. A Batista Legumes atua há mais de 30 anos dentro da Ceagesp. É uma empresa séria, grande, reconhecida pelo mercado paulista e, também, por outros estados que compram diretamente a ela”, completou.

Os agricultores estão entusiasmados. E, devido à qualidade do produto, a empresa paulista demonstrou interesse em dar continuidade à parceria para a próxima safra, prevista para junho. A expectativa é de que Alagoas passe a enviar 15 mil frutos por dia para São Paulo e passe a fornecer outras frutas, a exemplo do coco e da goiaba.

Para o gerente comercial da empresa, Ilton Oliveira, está sendo uma experiência excelente. “A região é boa para trabalhar, o produto é de qualidade e foi muito bem aceito no mercado paulista. Então, temos todo o interesse em manter essa parceria e, quem sabe, ampliar o leque de produtos a serem comprados dos agricultores alagoanos, a exemplo da graviola, maracujá, melancia e laranja”, garantiu o empresário.